30 ANOS DO NÚCLEO DE ARTES CÊNICAS DO SESI-SP

São 30 anos de existência e de atividade gratuita e ininterrupta, atuando na promoção da qualidade de vida em cursos para adultos, na orientação de jovens estudantes de teatro e na expansão da criatividade infantil por meio da vivência teatral.

 Por: Núcleo de Comunicação
28/09/201716:24- atualizado às 09:49 em 27/10/2017

Os 30 anos do NAC, em 2017, equivalem a um fenômeno significativo se consideradas as escalas municipais e regionais que demandam o programa estadual implantado em 1987 pelo Serviço Social da Indústria.

 

Por esse motivo, toda vez que aparecer a sigla NAC ela compreende o programa pioneiro em sua pluralidade de ações pedagógicas e artísticas ou, quando acompanhada do nome da cidade, circunscreve os territórios e paisagens que atende. É caracterizado pelo mote educacional e cultural dos cursos livres de teatro não profissionalizantes, de iniciativa privada, completamente gratuito e de grande alcance. Um feito notável tratando-se de aprendizado não formal.

 

Antes de avançar à narrativa a partir da trajetória e da singularidade do NAC, convém pontuar como o SESI foi descobrindo sua vocação para com as artes da cena – hoje sistêmicas na organização – em ações culturais que a entidade abraça desde a infância.

 

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1946: Nasce o Serviço Social da Indústria – SESI-SP com o papel de estudar, planejar e executar ações para promover diretamente a qualidade de vida e o bem-estar social

 

1948: surge o Serviço de Teatro do SESI, seção que intenta estimular a prática teatral amadora nas médias ou grandes empresas. Para dar liga aos chamados grupos dramáticos brotados em chãos de fábrica da capital e de cidades da Grande São Paulo, o SESI também contrata ensaiadores

 

1951: Osmar Rodrigues Cruz (1924-2007) ingressa na instituição e exerce a função de ensaiador de empregados da Rhodia, empresa do setor têxtil localizada em Santo André

 

1958: o SESI estima que 80 grupos amadores foram constituídos por funcionários em todo o Estado

 

1959: com a boa recepção de público às montagens, Osmar Rodrigues Cruz obtém aval da diretoria para estabelecer uma companhia, o Teatro Experimental do SESI, formado por amadores

 

1962: a boa repercussão de público e crítica às montagens estimulam a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) a promover a companhia do Teatro Popular do SESI (TPS). Esta circula por salas como o Teatro de Arte Israelita Brasileiro (TAIB), no Bom Retiro, e o Teatro Maria Della Costa, na Bela Vista, que abrigou o TPS com a montagem de A Cidade Assassinada, de Antônio Callado, que estreou no ano seguinte

 

1964: o laboratório amador torna-se a companhia estável do Teatro Popular do SESI, sonho acalentado e inspirado na experiência do diretor Jean Vilar (1912-1971), fundador do Teatro Nacional Popular (TNP), na França

 

1977: inaugurada a sede definitiva e homônima do Teatro Popular do SESI, junto ao edifício da Fiesp, na Avenida Paulista, 1.313, com a estreia do musical Noel Rosa: O poeta da vila e seus amores, tendo roteiro do santista Plínio Marcos (1935-1999) sobre a vida e a obra do compositor de Vila Isabel (RJ)

 

1985: com a chegada da forte retração econômica e o desemprego, a superintendência do Departamento Regional do SESI demanda à Divisão de Promoção Social (depois Divisão de Difusão Cultural), responsável pelo TPS e coordenada por Osmar Rodrigues Cruz, um programa que atendesse a crianças e adolescentes que não dispunham de atividade adequada para preencher o tempo ocioso, antes ou depois da escola

 

1987: cria-se então o primeiro NAC na cidade de Osasco, puxando a fila dos demais seis polos em Santos, Santo André e Sorocaba, além do bairro paulistano Cidade A.E. Carvalho, Mauá e Vila Leopoldina criou os Núcleos de Artes Cênicas — NACs nas unidades do Sesi-SP que tinham salas de espetáculos

 

1990: o programa é ampliado para as cidades de Araraquara, Campinas Amoreira, Franca, Marília, Mogi das Cruzes, Rio Claro e Vila das Mercês

 

1992: com a aposentadoria de Osmar Rodrigues Cruz, entre o final da década de 1980, Francisco Medeiros assume a Divisão de Difusão Cultural do SESI, e escala mentes e braços-chaves para revigorar o programa e demais ações do setor de artes cênicas. O professor, crítico de dança, ator e preparador corporal Acácio Vallim Júnior, até 1997, e a professora Sônia Machado de Azevedo

 

1994: nessa importante fase de consolidação do NAC, a tríade é formada com a diretora, pesquisadora e crítica Maria Lúcia Pereira (1949-2001), que atua até 1996

 

1996: o NAC chegou em mais três cidades do interior paulista, Birigui, Itapetininga e Piracicaba

 

2009: NAC São José do Rio Preto

 

2010: NAC em São José dos Campos e Ribeirão Preto

 

2015: mesmo sem uma sala de espetáculos na unidade, a criação do NAC Catumbi foi formalizada por conta da grande procura na região por atividades de artes cênicas

 

2017: o NAC Santo André migrou para a unidade de São Bernardo do Campo

 

Hoje, o trabalho desenvolvido pelos NACs, transformam pessoas e abre espaço para um diálogo permanente entre arte, cultura e educação. O NAC é peça-chave nesse processo de interiorização da cultura. É nítido que o serviço tornou-se um elemento estratégico de grande importância naquilo que hoje o SESI-SP consegue fazer em termos de difusão cultural, promovendo o senso de responsabilidade social e a vivência artística em si.

 

O teatro é a arte que proporciona esses momentos de descobertas, de emoções integradas da fantasia e realidade. O teatro é a arte do encontro e acontece no momento mágico em que artistas e públicos se reúnem para juntos imaginarem outros mundos.

 

A expressão “núcleo” deriva do entendimento de que o trabalho em equipe é condição essencial dos processos criativos e formativos. Voltado para todas as idades (de 8 a 90 anos), os cursos livres de introdução ao teatro são subdivididos em cursos semestrais (de 32 horas), curso Múltiplas Linguagens (pesquisa e criação de espetáculo adulto, de 220 horas) e oficinas (de 8 a 16 horas) oferecidas a partir do escopo cênico de técnicas e poéticas em corpo, voz, dramaturgia, desenho de luz, interfaces com a dança, a performance, o circo, a música, as formas animadas (bonecos e objetos) e produção cultural, entre outras ramificações.

 

Um dos grandes diferenciais do projeto é o encerramento do curso anual Múltiplas Linguagens, em que os alunos têm a oportunidade de criar um espetáculo original. No final do ano, durante o Encontro Cena Livre, as unidades do NAC trocam experiências, apresentando e discutindo o resultado de seus trabalhos. Os espetáculos são também abertos para o público em geral em pequenas temporadas, gratuitamente.

 

O tema condutor da edição do Encontro Cena Livre de 2017 é Portas Abertas. A programação estará disponível em novembro no site sesisp.org.br/cultura/

 

O impulso original para a concepção do livro “Atos de Coexistência”, além de celebrar as três décadas do NAC, é dar uma visibilidade especial à robustez do programa que, só no último ano, atendeu mais de 6 mil alunos. O título da publicação faz menção às transformações proporcionadas pela prática teatral: um ambiente de diálogo e respeito pelas diferenças, tão valorizados nos dias atuais.

 

O desafio de toda equipe envolvida na realização deste livro era representar o NAC e suas diferentes vozes: artistas-orientadores, gestores, alunos e comunidade. Esperamos que a leitura o cative e ajude a aproximá-lo do NAC SESI-SP, Transpondo distâncias e diferenças.

 

AUTORES E CONVIDADOS

 

VALMIR SANTOS é jornalista e crítico de teatro. Idealizador e coeditor do site Teatrojornal - Leituras de Cena. Membro da associação Internacional de Críticos de Teatro, AICT-IACT.

 

BOB SOUSA é fotógrafo de teatro especializado. Possuiu um acervo pessoal de imagens onde estão registrados mais de 300 espetáculos. Autor do livro Retratos do teatro (Editora Unesp).

 

MARIA TENDLAU é mestre em Teatro e Educação pela ECA-USP. Implantou e coordenou o Projeto Teatro Vocacional de 2001 a 2004, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Fez parte do conselho curador do Próximo Ato – Encontro Internacional de Teatro, organizado pelo Itaú Cultural, por quatro anos. Foi consultora pedagógica do Projeto Ademar Guerra em 2009 e coordenadora programática de teatro do Programa Fábricas de Cultura entre 2009 e 2011, ambos da Secretaria do Estado da Cultura de São Paulo. Em 2011 e 2012 foi curadora de teatro do Centro Cultural São Paulo. Atualmente é orientadora de Arte Dramática do Teatro da USP (Tusp) em Piracicaba, SP e integra o Núcleo Coisa Boa e o Coletivo Bruto.

 

CELSO CURY é produtor, administrador cultural e crítico de teatro. Criador e editor do OFF Guia de Teatro. Diretor Artístico da Oficina Cultural Oswald de Andrade. Membro da APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte. Membro do Conselho Consultivo da RED Latinoamericana de Promotores Culturales de Latinoamérica. Desde 1968 atua na área cultural. Recebeu os prêmios Molière e Mambembe (MINC), pela criação e programação do Espaço OFF.

 

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